"Do you think you'd sell your soul to just have one thing to turn out right? For the thousandth time you turn and find that it just makes no difference to try. Like Holden Caulfield, I tell myself there's got to be a better way. Then I lay in bed and stare at the ceiling – Dream of brighter days" [Get It Right – The Offspring]

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Existência...






[18h58 PM] Meu quarto
20/04/2012

        Então eu não escrevo mais diário? Escrevo sim. Mas ao menos até o fim do mês, adoto uma maneira diferente de encarar os registros. E eu nem escreveria até que terminasse Abril... Mas tudo bem. Noite, o quarto aberto – enchendo de mosquitos, provavelmente –, e eu abrindo uma página em branco sem planejar o que escrever. Cheiro bom.
        HELL YEAH. Cheiro bom! O quarto limpo! Não impecável, mas limpo. O que já é algo. Ultimamente minha vida se tornara negra. E não apenas pela maneira com que eu deixara de registrá-la, mas, talvez, porque mesmo em grandes dias, pairava ao fim a sombra do que a minha existência resume. E o quarto é (ou era) o fim de cada um destes dias. Algo realmente sujo, inabitável para a maioria. [...] Hoje eu clareei um pouco as coisas. E deixando de lado preocupações – o diário, a maior delas –, me sinto como que livre de uma corrente. Daquelas que, por eu tentar me livrar tanto de, em uma luta, rasparam até revelar a carne dos pulsos.
        Mas o que importa tentar descrever como tem sido? Se agora eu me sinto “livre”, vai ver é justamente porque eu não me importo mais assim tanto com o passado. – Aqui eu registro que ainda sinto a minha mortalidade, mas minha tristeza para com um fim é apática, agora.
        – Parágrafo sem sentido...!
        Voltei da casa da Maim, arrumei o meu quarto e agora fui ao supermercado. Encontrei o Lukinhas pelo caminho. Pena que eu devo algum dinheiro a ele. Odeio isso, mas não tenho R$50,00 agora, e nem mesmo os R$20,00 que ele me pediu por um torpedo, nesta manhã. Mas comprei um desodorante ambiente. E um pacote de balas de iogurte, para a minha avó. Pois ela ajudou a arrumar o quarto, a convite meu, e consertamos meu ventilador juntos. Agora carrego um episódio de YGO ZEXAL. – E eu realmente preciso de ironias, e mais frases sem sentido.    

        Ontem, havendo paralisação de alguns professores, eu teria apenas as aulas de mais tarde. Mas na primeira hora da manhã, então dormi, e depois, com o pretexto de ter todas as aulas seguintes, as da tarde e o Latim noturno, eu fui à loja. Passei a tarde jogando com o Alexandre, Ezegarde, JP e Emerson. O Paulo apareceu por lá ao fim da tarde, e passeamos.
        Visitamos o Duarte. Lá eu comprei “GISHKIS” dele. E passamos na casa do Félix. – Ainda não acredito que ele me cobrou R$20,00! Mas não seria tanta a diferença também... O problema é que vieram apenas os “MACHINA CANNON”, e uma dupla de “SCRAP RECYCLER” e “NECRO GARDNA”, sendo que o primeiro eu não necessito de verdade, e os outros eu já tenho. Sensação de ter gasto dinheiro sem qualquer necessidade... O resto do pouco que eu pude pedir não veio. Então, claro que eu vou me lembrar desta frustração até me deitarem na cova.
        Mas voltando à loja, a Maim passou lá depois da FURG, tarde, e nós fomos à sua casa. Lanche ótimo, ainda mais para quem não comera nada o dia inteiro, fora dois salgados. Culpa minha, que fiz uma conta errada e, ao pagar pelo “BRIONAC, DRAGON OF THE ICE BARRIER” do Paulinho, fiquei sem dinheiro. Mas é isso aí! Eu realmente esqueci! Ontem paguei o SYNCHRO. Decidi isso rápido. Isso porque a HA5 da edição especial deste card é européia. O que significa que o seu preço novo custa $20,00! Paguei o meu, da primeira edição, sem alimentos, e arrependimentos, portanto. Muitos já fizeram sacrifícios maiores do que os meus, por algo assim – certo? – para que eu não pareça viciado.
        O fim? Eu com a cara de quem havia se drogado. Tomei banho e ajudei a Maim a fazer seu trabalho de Sociologia. Eu estava acordado desde as 17h00 do dia anterior, anteontem. Tudo culpa de DEXTER. Algo que resume os meus dias e o porquê da bagunça no quarto. Pois passo todas as tardes e madrugadas, assistindo isto. Essa semana nem fui á aula, mas quando vou, é me arrastando de sono, sem prestar a atenção em nada e, assim, acidentalmente deletando o meu próprio diário. [...] Culpa.
        Terminei aqui. Então, uma curiosidade? Enquanto eu e a avó trabalhávamos, eu buscando a vassoura, o pai disse: “Fizesse ser real a expressão do ‘pão dormido’”. Eu ri. Literalmente, “pão dormido”. Dias negros... Inércia. O sol lá fora, e eu trancado embaixo das cobertas, no escuro escarlate das cortinas, assistindo seriado, comendo pão. E eu acordo dia após dia, sem tempo, e nem olho para o lado. Um dos pães dormiu comigo alguns dias... Eu vi, mas fingia que não.
        Sem expectativas. Sigo ouvindo ao álbum “DARK SIDE OF THE MOON”, mais precisamente a uma música; aguardando para o fim da noite, o ventilador, o gato e mais seriados. Para que talvez amanhã eu me sinta vivo de outra forma, uma que pareça valer apena. Diferente desta, preso no meu pior conforto.

***




“Ticking away the moments that make up a dull day 
Fritter and waste the hours in an offhand way
Kicking around on a piece of ground in your home town
Waiting for someone or something to show you the way

Tired of lying in the sunshine staying home to watch the rain
And you are young and life is long and there is time to kill today
And then one day you find ten years have got behind you
No one told you when to run, you missed the starting gun

And you run and you run to catch up with the sun, but it's sinking
Racing around to come up behind you again
The sun is the same in a relative way, but you're older
Shorter of breath and one day closer to death

Every year is getting shorter, never seem to find the time
Plans that either come to naught or half a page of scribbled lines
Hanging on in quiet desperation is the English way
The time is gone, the song is over, thought I'd something more to say

Home, home again
I like to be here when I can
And when I come home cold and tired
It’s good to warm my bones beside the fire
Far away across the field
The tolling of the iron bell
Calls the faithful to their knees
To hear the softly spoken magic spells”.

Time – Pink Floyd (Dark Side of the Moon – 1973)