"Do you think you'd sell your soul to just have one thing to turn out right? For the thousandth time you turn and find that it just makes no difference to try. Like Holden Caulfield, I tell myself there's got to be a better way. Then I lay in bed and stare at the ceiling – Dream of brighter days" [Get It Right – The Offspring]

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Darkwavedreamin'


[15h57 PM] Meu quarto
01/07/2012 - Rio Grande

Então... Resolvi abrir no mês novo, de uma vez. Chega a doer ao olhar o que houve do meio do mês pra cá. Parei de escrever. Andei refazendo pedaços de um romance, mas isso mais devido ao tédio e a inspiração momentânea mais do que por vontade. Mais nada.
        Aliás, vontade é o que me falta. Falta na vida; falta na alma. No meu almoço e janta, e nos jogos. E o que houve nestas semanas é consequência disso. E dói fundo, mesmo que eu tenha navegado por dias ondulares e marasmáticos, perder uma fatia da própria verificação. Uma fatia grande e chata. Mas que, em muitas pequenas vezes se somando, se constituíra destas horas invertidas, depressivas, com momentos em que valeria relembrar uma vez mais antes da Morte trazer o abraço.

Verificação... Deus, eu sou uma aberração mental. Ontem à noite, enquanto confortável na Van que ia à Pelotas, ao invés de empolgação ou qualquer centelha de entusiasmo, o que eu sentia era algo que, aqui, em palavras, não dá de explicar. Uma ideia, ou dilema, se assim preferir, que, no ápice do tormento, me angustiou a ponto de me fazer desejar por mãos fantasmagóricas. Como se eu pudesse, assim, atravessar a matéria. Poder segurar aquela perturbação com essas mãos e retirá-la da minha cabeça; dar ar livre à mente, portanto.
        Nota: Eu me sinto como se não respirasse. Ou ao menos, que, se eu respiro, é uma névoa escura.
        E lá estava o Juan: reflexões amargas, tapadas com um moletom; a questão de uma hora para chegar à cervejaria.
Curiosidades sobre como seria uma darkwave. Imaginando como uma opção melhor outra noite trancado no quarto, inerte. Afinal, qual seria o sentido de ir se divertir, se ninguém se importa e se todos os dias serão indiferentes e indignos frente ao fim dos tempos?
        A resposta esta aí. Mas demorou 22 anos e alguns meses para eu perceber isso. Que eu não tenho de levar uma câmera fotográfica, nem amigos onde quer que eu vá, e nem que preciso escrever sobre, apenas para provar que existo. – O mundo deveria me parecer melhor após eu me desamarrar do todo e encarar a minha existência com um pouco de humildade.
***

Estava frio. E eu estava sozinho. O Ezegarde não foi. Eu tivera mesa com a Nicolle horas antes, mas não quis andar com ela, por ela estar acompanhada. Então, que no micro estava o Auan.
        Até então eu nunca fui de falar com aquele vampiro de filme antigo, mas já que estamos semanalmente sob o mesmo teto... Resolvi seguir, como um fantasma, a Olívia, quem eu conhecia hora antes – me exigindo gastar um ponto de força de vontade, por sei lá eu que motivos –, o Auan e a namorada, e mais uma menina.
        Todos encasacados, menos eu. E as ruas por pouco em neblina, com alguns bêbados gritando: “... UM REAL!”. Uma garrafa vodka com energético, e mais outra. E a cervejaria na mesma quadra. Mas ao invés do pessoal entrar, eles ficariam de papo na rua. O que levou a Olívia a me passar a bebida e dizer: “Bebe aí para ver se tu calas a boca um pouco”. – Eu estava mesmo desajustado?
        Bem, se eu estava mesmo, não foi por tanto tempo. E o frio já não tinha efeito – ou era o álcool que fazia o seu...? – Não.
        “Daí que”, pouco antes de entrarmos, apareceu um Diego. Cara legal. Ele ficaria a noite inteira com a gente.

Lugar pequeno. Sem dúvida, nos dias normais, o pouco espaço deve de ser preenchido com mesas. Pois aquilo era algo bem próximo do Saloon que tinha aqui.
        As músicas estavam razoáveis, mas podia ser que fossem ótimas. O caso é que eu tinha expectativas superiores em relação ao que ouvi. Não que de alguma maneira isto signifique eu ficar parado, certo?
        E o álcool... Levei um pequeno banho tão logo entrei. Não havia muita gente, e com o local pequeno, população o suficiente; mais do que isso perto dos banheiros. E foi lá que se acidentaram, perto de mim.
        E mais sobre o álcool? Com o litro por R$8,00, só me arrependo de duas coisas: Não ter comprado uma última garrafa, e ser desatento LV57, (que somado a fatores alcoólicos, fazem pessoas derrubarem copos cheios e, pior, o Juan uma garrafa cheia). – Ah, e não que nós tenhamos tomado um fogo mágico, mas, rapaz...

Não ficamos até o final. Saímos em uma quest atrás de chips. E se fazia frio, eu não tinha como sentir. Sabe? Conversas de bêbado: qualquer assunto é bom e somos compreensíveis com desconhecidos como se eles fossem companheiros de guerra ou indivíduos superinteressantes.
        Só me lembro de estar ouvindo músicas com um muito louco e, antes disso, a garota que estava sozinha entre a gente. Depois, retornar à cidade, acordar perto de casa, essa menina me pedir para adicioná-la e, o que eu só fui lembrar à noite – sim, é madrugada e, graças a Satã o Gordo Paulo se foi mais cedo –, o Gabriel no meio do caminho, indo trabalhar. Eu só fui lembrar porque ele me chamou nas redes, querendo saber sobre eu ter aparecido levemente alcoolizado e feliz, antes do amanhecer.
        A propósito. Antes do amanhecer... Estava clareando, segundo a janela. Se eu conseguisse me levantar assim que deitei, eu assaltaria o lanche que lembrei estar na geladeira. É isso.

- É, embriagados adoram assaltar dessa forma ^-^ / E assim termine mais um daqueles dias que o fim é sempre bem melhor do que o esperado.