"Do you think you'd sell your soul to just have one thing to turn out right? For the thousandth time you turn and find that it just makes no difference to try. Like Holden Caulfield, I tell myself there's got to be a better way. Then I lay in bed and stare at the ceiling – Dream of brighter days" [Get It Right – The Offspring]

domingo, 9 de setembro de 2012

YGOWE T1C2PtIII – CAVALARIA VS ARQUI DEMÔNIOS


– NaNiKaNaNaNiKaNaNaNiKaNaBonJuaKoNe!!
– Então, temos uma carta para hoje também?
– Claro que temos!
– E qual seria?
– That’s an amazing card! Not so amazing than My Horse, anyways…
– Look!
– What?
– At my Horse! Of course!
– …¬¬
– Oh, c’mon. Give it a lick..! :P

YGOWE T1C2PtIII – CAVALARIA VS ARQUIDEMONIOS
(Nome não confirmado)



– O que ele quer aqui à noite?! – Jonas disse, disparando para o corredor que levava ao portão. Paulo e Juan seguiam logo atrás.
– Jonas. Escuta. Eu preciso fazer um duelo. Preciso agora. E aí, duela comigo? – Dizia Ruan, pausadamente, assim que o portão se abria mais, iluminando vagamente a sua face.
– Duelar? – Jonas sorriu. – Entra aí – ele disse. – Gordo, acho que conseguimos o teu adversário – ele completou, enquanto girava a chave de volta na fechadura.

***

         – Então, Jonas, tu podias abrir a janela, por favor? Não tem como ficar aqui dentro – Ruan se abanava; o quarto estava muito abafado, e o ventilador não funcionava.
         – Cara, até abro, mas depois vou ser charqueado por mosquitos! – Jonas respondia de volta, novamente grudado ao computador. Ele não tinha a mínima vontade tanto de pausar o jogo quanto de realmente abrir a janela.
         – Gente, escuta só. Não é possível que apenas eu esteja com fome. Não comemos nada desde que saí de casa! Então porque não vamos à lancheria, duas quadras daqui? – Juan dava a idéia – Além de lá não ser uma estufa, podemos comer e jogar em plataformas outra vez!
         – Não sei não... – dizia Ruan – eu estou com um pouco de pressa.
         – Valeu Dudu, agora me deixasse com fome também! – Paulo.
         – Eu também fiquei – respondeu Jonas pausando o jogo com um soco no teclado e levantando-se. – Se vamos, vamos agora.
         Ruan pegou novamente o pequeno case que trazia em mãos, concordando em sair também.

         Dirigindo-se à lancheria, enquanto Juan discutia junto de Jonas a respeito das cartas no baralho do último, Ruan se aproximava para o lado de Paulo sorrateiramente. – Gordo, eu já imaginava te encontrar com o Jonas – ele disse, procurando algo no bolso de sua camisa. – Por isso eu trouxe isto comigo. Se quiseres dar outra olhada...
         Paulo pegou um card holográfico-raro em mãos. O brilho metálico era tão forte que, mesmo na noite, enxergava-se o card perfeitamente. – “DIVINE KNIGHT ISHZARK”; é minha.
         – Como assim, essa carta é extremamente efetiva contra o meu deck! – Juan disparou, ignorando Jonas e se dirigindo para perto de Paulo. Ele se inclinou para alcançar a carta. – JUMP, não é? Edição promocional e limitada, paralela às revistas japonesas..., me deixa ver!
         Paulo parou de caminhar, encarando o amigo. – Ah, tu queres ver. – Ele encheu os pulmões de ar, em seguida, berrando. – NÃO VAI CHOVER! – E deu de costas, gargalhando. – E se quer olhar, já sabes né?
– Idiota – Juan diz quase inaudível, limpando o rosto dos pingos de saliva do amigo gordo. – Vamos cara, mostra isso de uma vez!
         – Cara, na boa, é o “DIVINE KNIGHT ISHZARK”! Quando EU TE REMOVER, tu vai ver ele! – Provavelmente sem noção alguma das horas, Paulo berrou em mais gargalhadas, tão altas que um gato sobre telhados próximos correu assustado.
         – Não tem graça alguma. Toda essa euforia por causa de um card desses... – Jonas sibilou.
         – Jonas, não é por causa da carta, é porque EU VOU – o gato morreu do coração – remover os zumbis do Dudu. E com o ISHZARK, Removo até os teus.
         Um olhar torto. –... Eu nem tenho zumbis, cara.
         Outra vez Paulo parou abruptamente. Ficou rindo sozinho.
         – O quê? – Franzido, Jonas perguntou.
         – Hahahaha! – Outra explosão de risos. – Vou remover os zumbis de todo mundo, Até o da mãe de vocês, se der mole!
         – Então Paulo, quer comprar...? – Ruan ressurgia.
Neste momento o céu estrondara poderosamente. Um rápido silêncio se formava até o relâmpago seguinte; desaparecendo as risadas aleatórias; a preocupação preenchendo a atmosfera.
         – Vamos nos molhar – disse Juan, encarando a distância que faltava até a lanchonete, sentindo a primeira gota em sua face.
         Outro estrondo, ainda mais forte.
– CORRE! Era o que dava tempo de dizer, com a rua branqueando torrencialmente. – Quem dera se corrêssemos após apertar campainhas como na infância..., pelo menos o Paulo, pois é gordo, e o Ruan, porque tem um porte atlético demais, não acabariam assim – Juan falou para Jonas, tendo corrido o suficiente para se salvar da torrente; olhando para os outros, bem mais atrás e inevitavelmente encharcados.

***

Esbaforidos, e alguns torcendo as mangas, os duelistas alcançam a plataforma de duelos após uma curta verificação nos decks, que se salvavam da catástrofe, na deckbox.
– Pronto? Ruan observava o salão. Era tarde; apenas os quatro duelistas na área leste e, ao extremo oposto, um grupo de caras altos, vestidos em couro e correntes. Com uma simples análise, percebia-se que se tratava de alguma gangue que lá ficara presa devido à tempestade.
– Mais do que pronto – Paulo respondeu, com um controle diferente na voz. – Começa aí, Ruan.

DUERU!!

         Silenciosamente, após cortar o Deck, Ruan compra sua sexta carta, imediatamente a posicionando de face para baixo na zona de mágicas e armadilhas. – Eu jogo este monstro invertido e posiciono mais duas cartas também – Ruan terminava o turno, bisbilhotando seus sets, como que se precisasse rever urgentemente o que estava plantado em campo – com a pontinha dos dedos.
         Após comprar, Paulo invoca o card que, segundo sua postura, parecia perfeito para uma abertura. “COMMAND KNIGHT” (1200/1900).
         – Ruan, com a habilidade permanente da minha carta, todos os monstros do tipo Guerreiro em meu lado do campo têm seus ataques aumentados em 400 pontos, incluindo ela mesma! (1600/1900). Ainda, estou ativando esta mágica contínua: “THE A. FORCES”.
         – Sim, Paulo. Conheço seu baralho apenas por esta abertura. Criastes teu baralho a partir dos cards da Estrutura Triunfo dos Guerreiros..., claramente. E o seu feitiço contínuo, conheço também. É um suporte que aumenta o ataque dos Guerreiros em mais 200 pontos multiplicados ao número de monstros deste tipo e do tipo Mago que você controla. “Não que isto seja o suficiente para passar pela minha primeira defesa...”.
         – Certo. E a minha comandante tem seu ataque aumentado outra vez, portanto. (1800/1900). – Por um momento, Paulo observa sua mão. – Ruan, todos sabem que você joga defensivamente. Eu não espero que o ataque funcione, mas é assim que vou jogar. “COMMAND KNIGHT”, ataque!
         A linda cavalheira, de esplendorosas vestes épicas, em um único impulso, deixa para trás algumas plumas juntas de sua capa, atingindo graciosa e firmemente o monstro que se revelava do lado adversário. Contudo, o golpe não era o bastante para derrubar o alienígena azul completamente revestido de ossos cromados, o qual bloqueava a espada com um par de asas gigantes.
         – Realmente; a defesa do “CYBER ARCHFIEND” (1000/2000) é mais poderosa que a comandante. [Paulo: 4000LP -> 3800LP] – Deixo uma carta de face para baixo e encerro.
         – Ah, eu adoro esse monstro... – Juan dizia. – Mas o Ruan ainda tem algumas cartas em sua mão... E de acordo com a habilidade desta criatura, o seu controlador pode comprar um card extra quando não possuir cards na mão durante a Fase de Compra. Mas, ao fim do turno, ele é destruído caso exista qualquer carta em mãos.
         – Não Dudu – interveio Ruan. Eu não pretendo usar a habilidade do “CYBER ARCHFIEND”. Ele já cumpriu seu propósito aqui; que era segurar um ataque. Agora... – Ruan compra em sua vez, em seguida, sacrificando o demônio para uma invocação de nível superior. – Uso o “CYBER ARCHFIEND” para invocar a minha carta mais rara deste baralho! Surja, “MIST ARCHFIEND” (2400/0)!
         Uma névoa sombria toma conta da arena. Um demônio, de forma muito semelhante ao primeiro, emergia para a batalha. Desta vez, uma criatura de aspecto tenebroso, com ossos negros e foscos revestindo o corpo e a face esquelética, de olhos tão vermelhos quanto o resto de seu desenho enorme.
         – Diga tchau para a sua cavalheira. – Ruan esfregava as mãos, aprazendo-se com o ataque do seu novo demônio. Uma fumaça preta é disparada em todas as direções e, ao cessar, não se encontra mais criatura alguma sob o controle do outro duelista. [Paulo: 3800LP -> 3200LP]
         Com um aceno, o turno é encerrado.
         – Ele ainda mantém suas três cartas invertidas – Jonas observa. – Por que será que tenho a impressão de que o monstro do Ruan está bem protegido? – em tom de sarcasmo, ele completa.
         Paulo arfa pesadamente, comprando sua carta. – Fica frio Jonas, eu vou conseguir acertar esse maldito demônio bem logo. Mas antes eu posiciono um monstro e uma armadilha.
         – Ta bem então – Ruan responde, comprando sua carta. – Aí está! Acabei de puxar minha carta mágica de campo! E eu a ativo agora, o reino do terror, “PANDEMONIUM”!
         O teto do local brilha com um parcial vermelho incandescente, como o céu que se pressupunha o Inferno. Um altar de mármore verde-sujo e marcas de violência ergue-se do solo, cercado por muitas árvores de aparência morta, contudo, árvores animadas, sussurrando em conjunto um cântico maligno.
         – Vocês conhecem este terreno? – Ruan pergunta, com os dentes totalmente à mostra, confiante.
         – Eu apenas ouvi falar – respondeu Juan. – É raríssimo!
         – E o que faz? – perguntou Jonas.
         – Por ora, toda vez que um monstro “ARCHFIEND” for destruído e enviado para o meu Cemitério, exceto por batalha, poderei abrir meu baralho e adicionar outro “ARCHFIEND” de nível menor do que o destruído para a minha mão.
         Paulo refletia após ouvir atentamente ao efeito, esperando outro movimento.
         – Sabe quem vou invocar agora? – Ruan faz uma pausa, causando apreensão. O nevoeiro negro levanta novamente.
         – %@$#! As cartas dele são...
Mas o quê?! “MIST ARCHFIEND”, outra vez?! – Jonas interrompia um provável elogio do amigo ao lado, fazendo cara de que não entendia nada enquanto a nova cópia do demônio surgia em campo.
         – Mas como isso, se ele é um monstro LV5?! – Paulo protesta de forma indignada, encarando dois dos demônios.
         – Simples. Eu não preciso tributar para a invocação de um “MIST ARCHFIEND”. Entretanto, invocá-lo assim tem um preço. Ao fim da rodada ele será destruído, me causando 1000 pontos de dano.
         – Sei – Paulo respondeu fechada e abruptamente.
         Juan, pensativo, guardou uma observação mais cuidadosa para si. “Basta uma única releitura nos efeitos até aqui apresentados, para entender a assustadora combinação que virá”.
         – “MIST ARCHFIEND”, ataque! A criatura recém-invocada lança uma densa rajada de fumaça preta contra o monstro adversário.
         – Você destruiu uma “WARRIOR LADY OF THE WASTELAND” (1100/1200)! – Paulo explicava. – E com a habilidade dela, presumo que você saiba...
         – Sim. Quando as destruo e envio ao Cemitério em batalha, você busca do Deck outro monstro do tipo Guerreiro e atributo TERRA, com ataque de 1500 pontos ou menor, e o invoca especialmente. – Ruan recitava o efeito de forma monótona e invariável, com certo desprezo. – Mas o seu monstro é invocado em modo de ataque.
         – Exato – Paulo responde. – E eu escolho outra dessa vagabunda.
         – Como é que ele pode chamar as minhas loiras de vagabundas?! – Jonas questionava surpreso, assistindo à forma feminina, de vestes verdes em estilo brim, botas e chapéu de couro, segurando uma corda em um estilo aventureiro, aparecer em campo.
         – Primeiro, Joninhas, elas não são mais suas. E, segundo, eu sou GORDO; então posso chamá-las do que eu quiser. – risadas muito mais infernais do que o campo de batalha.
         – Claro. Ótima justificativa, gordo de merda – Juan responde – E vê se não perde tão cedo o duelo de estreia com teu próprio deck, né.
         – Não. Vou. Perder. – Paulo responde, afastando os cabelos longos e molhados para trás, afim de que não pingasse o resto da chuva nos cards. Ou para, quem sabe, fazer uma pose mais séria ou sensual. (-q)
         – Chega de papo gente. Ataco com o outro “MIST ARCHFIEND”! –Ruan anuncia enquanto o ataque pega em cheio, enviando a donzela para o Cemitério.
         – Ter a “THE A. FORCES” em campo diminui o prejuízo à minha vida. [Paulo: 3200LP -> 2100LP]. – E eu trago outra! – Em campo surge a última cópia da donzela.
         – Então é isso, ficar absorvendo meus ataques por uma rodada? Quase patético... digo, poético... – enviando o “MIST ARCHFIEND” do turno para o Cemitério, Ruan debocha. – E agora começa a diversão. [Ruan: 4000LP -> 3000LP]. Abrindo seu baralho, ele continua. – Porque graças ao efeito do meu “PANDEMONIUM”, neste momento, posso buscar por um novo “ARCHFIEND”. E escolho este, “TERRORKING ARCHFIEND” – revelando a carta procurada, ele completa, encerrando a vez.
         – Eu compro – Paulo arfa novamente, encarando o monstro no campo adversário. – Se queres usar suas cartas raras, então eu também quero usar a minha! – Paulo separa decididamente um card em mãos. – Agora sacrifico a “WARRIOR LADY OF THE WASTELAND” para invocar meu “FREED THE MATCHLESS GENERAL”! (2300/ 1700).
         A imagem da donzela se desfaz, dando lugar ao holograma de um homem alto, de face experiente e marcante, e longos cabelos loiros seguros por uma tiara simbólica. Seu corpo é inteiramente vestido em uma limpa armadura de platina com detalhes em ouro.
         – E com o efeito da “THE A. FORCES”, o ataque do meu general é elevado o suficiente para passar por seu arquidemônio. (2500 / 1700).
         – É a chance do Paulo – Jonas comemora. Agora o Ruan não pode usar cartas mágicas contra o “FREED”, graças à habilidade de negar e destruir as mágicas que fazem alvo nele.
         – “FREED”, ataque!
         – Não tão rápido! Que tal lembrar as minhas armadilhas antes de correr assim, Paulo? – seguro, Ruan zomba. – Estou ativando “HATE BUSTER”, a armadilha que vai terminar com este duelo. Posso ativá-la quando você seleciona um monstro do tipo Demônio como alvo de ataque. Ela destrói ambos os monstros antes da batalha, causando dano direto aos seus pontos de vida igual ao ataque original do monstro que você perde desta forma. E sua vida é menor que o ataque do seu “FREED”...
         – Ruan, só cala a boca, tá? Vou te contar: eu poderia ter usado o meu general muito antes, caso eu quisesse, mas eu tinha de, antes, me certificar de que o meu ataque funcionaria. – Paulo sorri.
         – Então quer dizer que...
         – SIM! – um berro, como ele gosta de fazer. – Toma essa! Minha armadilha: “ROYAL DECREE”! Enquanto de face para cima, ela nega o efeito de todas as outras armadilhas em campo! Chore!
         – Entendo... Então, antes que a sua “ROYAL DECREE” funcione, vou ativar minhas duas outras armadilhas, que, em corrente, resolvem antes desta sua maldita carta estragar com tudo. Você vai morrer de uma forma muito linda. Hahaha! – Ruan, (com a pontinha dos dedos) confere seus outros cards invertidos. – Primeiramente, vou ativar uma carta estranha, conhecida como “DORA OF FATE”.
Surge um enorme bumbo em meio ao altar. Um duende decrépito, segurando uma espátula de metal, se prepara para tocá-lo. – E também, para garantir o efeito do “DORA”, revelo esta: “ARCHFIEND’S ROAR”.
Presunçoso, ele passa a explicar os efeitos: - Como as cartas vão resolver de trás para frente, antes de qualquer coisa, com um pequeno custo da minha vida, trago um “ARCHFIEND” do meu Cemitério para o campo [Ruan: 3000LP -> 2500LP]. Um trovão explode ao lado do “MIST ARCHFIEND”, trazendo outro do mesmo, em modo de defesa. (2400/0).
– E agora, Paulo, ouça com atenção, porque eu não vou explicar de novo o que acontece – Ruan diz, enquanto o diabo cinza bate no bumbo. – Pelo efeito da “DORA OF FATE”, eu seleciono um monstro em seu lado do campo; e claro, o meu alvo é o “FREED, THE MACTHLESS GENERAL” – Ruan deixa uma risada escapar. E em seguida, tomando fôlego, limpando sua face com a manga do casaco úmido, ele continua. – Funciona assim, o efeito: Durante o meu próximo turno, se eu invocar um monstro com exatamente um nível a menos do que meu alvo, o efeito da “DORA”, que não vai estar em campo, assim, salvo da sua armadilha, resolve. E você perde 500 pontos de vida para cada nível do monstro alvo desta rodada – outra risada. – Detalhe: O seu cavalheiro é um monstro de LV5; o que significa que, de acordo com as regras de multiplicação, você perde a partida. Hahaha!
Paulo, totalmente sem expressão, cancela o seu ataque.
– O que foi? – Ruan, confuso, pergunta.
– Porque não explicas o efeito inteiro da “ARCHFIEND’S ROAR”? Não consegues duelar sem trapacear? – Indignado, Juan intervêm.
– Mas como assim? Eu trouxe meu “MIST ARCHFIEND”.
         – É. Mas não mencionasse que, ao fim do turno, o monstro que a “ARCHFIEND’S ROAR” traz é destruído, assim, te permitindo...
         – Entendi! – Paulo interrompe. – Permitindo que, pelo efeito do “PANDEMONIUM”, ele possa buscar por um “ARCHFIEND” de LV4, o que é peça perfeita para ativar o efeito do “DORA”, certo?
         – Mas que %#$#@! O Gordo joga bem mesmo! Eu não tinha visto essa – Jonas diz, fazendo um sinal de positivo com o polegar para o duelista.
         – Ruan! – Paulo o chama. – Bem, nossas armadilhas se foram, menos a minha. Hahaha! E você possui dois “MIST ARCHFIEND”s, agora. E, com certeza, seu ladrão, você sabe o que isso significa. Que, devido a uma mudança de monstros no campo do meu adversário, eu agora tenho direito a realizar um replay.
         – Não brinca... – Jonas sibila.
         Paulo aponta para o último “MIST ARCHFIEND”. – Com o replay, posso refazer o alvo que meu “FREED” ataca, e eu quero a cabeça deste novo arquidemônio!
         Com uma espada reluzente, o cavalheiro desmancha a figura do demônio em posição de defesa, deixando apenas mais névoa no lugar.
         – Como o que já está morto não morre de novo, e sabendo que o seu campo não faz efeito quando um “ARCHFIEND” é destruído durante a batalha, você não poderá se utilizar da destruição por efeito para buscar seu monstro de LV4. Quer dizer... – ele se corrige. – Somente se você comprar um.
         – Dudu, eu te odeio. – Ruan rosna.
         – É. Eu ter amo também – a resposta, fria.
         – Mas... – Ruan analisa a face de cada um, presunçosamente. –Vocês esquecem que eu ainda tenho o “TERRORKING ARCHFIEND” na mão? E que eu posso invocá-lo enquanto eu controlar – e eu controlo – outro “ARCHFIEND”? – Ruan revela a carta, guardando-a novamente, esperando o término do turno. – Valeu o esforço, Paulo. Parabéns. Mas você perdeu. – Ruan arremata, erguendo as sobrancelhas em sinal de impaciência. – Só passa o turno de uma vez, tá?
         Paulo adquire um olhar vago, mesmo checando os cards ainda em mão.
         – Bah, que droga. O Gordo vai perder... – Jonas diz de forma abatida.
         Paulo e Juan ficam se encarando. Em uma observação mais precisa, se perceberia que ambos trocaram um gesto. E que não havia vestígio algum de desistência, na face deles...


~[continua...]~

***

[Beta. Incompleto. Mas eu estava com vontade de postar e_e] Preview mais later suas bichas -q

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Darkwavedreamin'


[15h57 PM] Meu quarto
01/07/2012 - Rio Grande

Então... Resolvi abrir no mês novo, de uma vez. Chega a doer ao olhar o que houve do meio do mês pra cá. Parei de escrever. Andei refazendo pedaços de um romance, mas isso mais devido ao tédio e a inspiração momentânea mais do que por vontade. Mais nada.
        Aliás, vontade é o que me falta. Falta na vida; falta na alma. No meu almoço e janta, e nos jogos. E o que houve nestas semanas é consequência disso. E dói fundo, mesmo que eu tenha navegado por dias ondulares e marasmáticos, perder uma fatia da própria verificação. Uma fatia grande e chata. Mas que, em muitas pequenas vezes se somando, se constituíra destas horas invertidas, depressivas, com momentos em que valeria relembrar uma vez mais antes da Morte trazer o abraço.

Verificação... Deus, eu sou uma aberração mental. Ontem à noite, enquanto confortável na Van que ia à Pelotas, ao invés de empolgação ou qualquer centelha de entusiasmo, o que eu sentia era algo que, aqui, em palavras, não dá de explicar. Uma ideia, ou dilema, se assim preferir, que, no ápice do tormento, me angustiou a ponto de me fazer desejar por mãos fantasmagóricas. Como se eu pudesse, assim, atravessar a matéria. Poder segurar aquela perturbação com essas mãos e retirá-la da minha cabeça; dar ar livre à mente, portanto.
        Nota: Eu me sinto como se não respirasse. Ou ao menos, que, se eu respiro, é uma névoa escura.
        E lá estava o Juan: reflexões amargas, tapadas com um moletom; a questão de uma hora para chegar à cervejaria.
Curiosidades sobre como seria uma darkwave. Imaginando como uma opção melhor outra noite trancado no quarto, inerte. Afinal, qual seria o sentido de ir se divertir, se ninguém se importa e se todos os dias serão indiferentes e indignos frente ao fim dos tempos?
        A resposta esta aí. Mas demorou 22 anos e alguns meses para eu perceber isso. Que eu não tenho de levar uma câmera fotográfica, nem amigos onde quer que eu vá, e nem que preciso escrever sobre, apenas para provar que existo. – O mundo deveria me parecer melhor após eu me desamarrar do todo e encarar a minha existência com um pouco de humildade.
***

Estava frio. E eu estava sozinho. O Ezegarde não foi. Eu tivera mesa com a Nicolle horas antes, mas não quis andar com ela, por ela estar acompanhada. Então, que no micro estava o Auan.
        Até então eu nunca fui de falar com aquele vampiro de filme antigo, mas já que estamos semanalmente sob o mesmo teto... Resolvi seguir, como um fantasma, a Olívia, quem eu conhecia hora antes – me exigindo gastar um ponto de força de vontade, por sei lá eu que motivos –, o Auan e a namorada, e mais uma menina.
        Todos encasacados, menos eu. E as ruas por pouco em neblina, com alguns bêbados gritando: “... UM REAL!”. Uma garrafa vodka com energético, e mais outra. E a cervejaria na mesma quadra. Mas ao invés do pessoal entrar, eles ficariam de papo na rua. O que levou a Olívia a me passar a bebida e dizer: “Bebe aí para ver se tu calas a boca um pouco”. – Eu estava mesmo desajustado?
        Bem, se eu estava mesmo, não foi por tanto tempo. E o frio já não tinha efeito – ou era o álcool que fazia o seu...? – Não.
        “Daí que”, pouco antes de entrarmos, apareceu um Diego. Cara legal. Ele ficaria a noite inteira com a gente.

Lugar pequeno. Sem dúvida, nos dias normais, o pouco espaço deve de ser preenchido com mesas. Pois aquilo era algo bem próximo do Saloon que tinha aqui.
        As músicas estavam razoáveis, mas podia ser que fossem ótimas. O caso é que eu tinha expectativas superiores em relação ao que ouvi. Não que de alguma maneira isto signifique eu ficar parado, certo?
        E o álcool... Levei um pequeno banho tão logo entrei. Não havia muita gente, e com o local pequeno, população o suficiente; mais do que isso perto dos banheiros. E foi lá que se acidentaram, perto de mim.
        E mais sobre o álcool? Com o litro por R$8,00, só me arrependo de duas coisas: Não ter comprado uma última garrafa, e ser desatento LV57, (que somado a fatores alcoólicos, fazem pessoas derrubarem copos cheios e, pior, o Juan uma garrafa cheia). – Ah, e não que nós tenhamos tomado um fogo mágico, mas, rapaz...

Não ficamos até o final. Saímos em uma quest atrás de chips. E se fazia frio, eu não tinha como sentir. Sabe? Conversas de bêbado: qualquer assunto é bom e somos compreensíveis com desconhecidos como se eles fossem companheiros de guerra ou indivíduos superinteressantes.
        Só me lembro de estar ouvindo músicas com um muito louco e, antes disso, a garota que estava sozinha entre a gente. Depois, retornar à cidade, acordar perto de casa, essa menina me pedir para adicioná-la e, o que eu só fui lembrar à noite – sim, é madrugada e, graças a Satã o Gordo Paulo se foi mais cedo –, o Gabriel no meio do caminho, indo trabalhar. Eu só fui lembrar porque ele me chamou nas redes, querendo saber sobre eu ter aparecido levemente alcoolizado e feliz, antes do amanhecer.
        A propósito. Antes do amanhecer... Estava clareando, segundo a janela. Se eu conseguisse me levantar assim que deitei, eu assaltaria o lanche que lembrei estar na geladeira. É isso.

- É, embriagados adoram assaltar dessa forma ^-^ / E assim termine mais um daqueles dias que o fim é sempre bem melhor do que o esperado.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Festival de Rock #1Maio 2012 - BABY DOLL

05/05, Saturday night, Rio Grande, 2012, hours before the rockadventure...


[...] 

E hoje, comecei a fazer download do YGOGX. Teria Victor, mas eu não fui. Estou a fim de ficar em casa. Tanto é que, mais cedo, passei no supermercado e comprei dois pacotes de chips, um de bacon assado, uma pipoca de micro-ondas e uma bandeja de iogurte. O plano era/é assistir seriados. O problema era que eu terminara tudo na ultima madrugada.
        “Vou à loja, pegar seriados (‘PRISION BREAK’) e minhas cartas, para caso eu saia essa noite”. Mas era preguiça demais... Por sorte, ao buscar ração para o Gatíssimo, o Gabriel e o Guilherme tentaram me dar um susto/assalto. Após eu me armar e quase quebrar a face de um, combinei com o Gabriel. Há pouco retornei de lá, com todo o resto da temporada 7 se SUPERNATURAL.
E é isso o meu fim de semana. Amanhã tem loja, e eu voltando ao RGBN.

-> Dando início à maratona cama – gato – salgados – seriados. XD

***

Starred by: 

BIZARRES  FAT: A Fat friend. A Bizzare Fat Friend, actually. Loves metal; It's said he always chating with the Devil at these undergrounds. The whereabouts of  the Devil, however, shouldn't be asked under any non-acoholic circunstances.


JUAN OLIVEIRA: Smile! I'm a camera XD




Ezegarde: (AK-47). He doesn't care with the woman's hearts. They just bother him. The real thing is shoot all of that bitches at once! - You can't see it, but there is a obfuscated Nosferatu in this picture!


Special Guest: Cara-Homi, Depair from the Dark.

*** 

A Movie By:

THE YELLOW REAPER


***

NÂO! Não foi nada assim como o planejado. Não voltei ao RGBN, mas isso sequer importa...! Eu tinha mesmo o plano e estava decidido a o cumprir, MAS – é claro –, advinha quem apareceu, pouco antes das 00h00? E a estória do fim de semana mudou. De apática e confortável, para ser lembrada por um bom tempo. E o produto disto: Passam-se das 09h00 de segunda-feira, início de semana com uma prova de Morfologia que eu sequer tinha estudado. Já estou na biblioteca administrando meu ímpeto de registrar a verificação. – Olhar para trás é bom; ao menos quando tem Gordo, Ezegarde, Uísque, Festival de Rock e um carro a mais de 160 km/h.
Ouvi me chamarem enquanto corria a barca, eu estava acompanhando 264.000+ imagens em uma página sobre a HATSUNE MKU. Várias outras abertas, e enquanto isso downloads de YGOGX. Tudo corria bem, pois tinha o Gatíssimo e aquela sacola de guloseimas me esperando para a madrugada.
        A princípio, não atendi. Demorei com vontade; era claro que era o Gordo Paulo, e se quisessem mesmo falar comigo, me esperariam, além do mais, eu pensava que estavam para me arrastar para jogatinas.
        Mas não. Ao invés de convidar o Gordo, que estava sozinho, para entrar, tratei de esclarecer que eu pretendia tirar a noite para mim. E não, eu não iria ao Festival no Cassino. O Diego poderia ir em meu lugar. E eu não era tão necessário, pois o Ezegarde estava dentro. Mas ter parcerias é pra isso. “Paulo, pelo menos vamos dar uma banda então, se ainda não lanchasse”. E nos mandamos por aí.

01h00. Casa do Paulo. Eu não tinha dinheiro, mas começava a pensar em sair de casa mesmo assim. Quer dizer, não retornar para casa. Se bem que qualquer coisa envolvia eu retornar. O Paulo estava prestativo a ponto de retirar do armário uma toalha e um xampu. Eu não tinha mais desculpas para não sair de casa, então. Só retornei para um banho enquanto o Ezegarde fugia de casa e aguardava carona. – O Diego não poderia ir...

? h? . A morte bateu na minha janela! Há uma inclinação pela faixa. Coisa pouca; mas..., considerando uma velocidade o suficiente para te colar no banco, sem cinto de segurança e sem acreditar em Deus, a impressão que se tem, além do pânico, é que o Ceifador te aguarda ao fim da montanha russa. “HIGHWAY STAR”, OF COURSE!

Chegamos ao Cassino em aproximadamente de 10minutos RÁPIDO! E logo encontramos o Boliche.
        A primeira visão que tivemos após a onda de roupas pretas segurando copos, latas e baseados, foi a de dois marmanjos, sei lá eu se de brincadeira ou não, brigando. Quer dizer, um deles pisava na cabeça do outro, que devia de ser mais imbecil do que o agressor. Pois, quem vai ter que comprar uma dignidade nova depois de rolar no capim úmido e cheio de terra e ser humilhado em público na frente de um bando de gurias bem bonitas?
Isso por causo de quê? Por causa de cachaça né?!

- É por casas de cachaça né.
- E quantas você bebeu?
- Só bebo latinha!
- Umas quatro.

***

Ah, só pra variar, outra vez eu saí de casa sem qualquer documento! Claro que não queriam nem saber dos meus documentos na hora, mas, e para sair de lá?
        No início o Gordo Paulo foi dar um oi por lá e eu não iria ficar andando para lá e cá pendurado no Ezegarde. Passei um tempo assistindo aos shows, sozinho, me aproximando cada vez mais do monte de gente. Então, me sentindo muito randômico, uma coincidência: No início destes registros, lá sobre a aula de Latim... Tinha uma guria. E não é que agora ela surgia do meio da massa? Foi uma coincidência legal, sei lá. E não foi apenas ela, das Letras, colegas e ex, que eu encontrei! Realmente não esperava, com exceção do Michel, encontrar o pessoal curtindo um rock ‘n.
Em meio a me sentir ligeiramente desajustado – que engano...! –, já que eu estava respondendo a alguém que eu estava sozinho, em um festival, resolvi me reencontrar com os guris. O resultado disso?

É aqui que tudo se encaixa. Eu havia dito diversas vezes ao Paulo, mas o animal de tetas não entendera. Entre as bandas da noite, estava a “BABY DOLL”. A princípio eu não acreditei, já que isso seria a coisa mais absurda que eu poderia querer para uma noite fora dos planos. Mas era mesmo! A “NEW HELL” entrou com a gente no carro, os deixamos sei lá eu onde, e o próximo destino era retornar a Rio Grande, tão rápido quanto possível.
– Pra quê? Para o Paulo pegar o sutiã.

PEGAR O SUTIÃ Õ/

[Informação adicional para o Blog]: Há uns meses, nos passeios pela madrugada, o amigo gordo me mostrou um álbum muito escroto; um álbum diferente e bom demais. Era “BABY DOLL”. CD Original, que ele conseguiu no prévio show da banda aqui em Rio Grande. Neste fatídico dia, o Gordo dançou no palco vestindo apenas cueca e sutiã.
O Sutiã Lendário ainda existia, e fomos, mesmo, até Rio Grande, apenas por causa dele.
– Eu não conheceria “DOLL” se não fosse pelo sutiã... XD



Retornamos exatamente quando a banda começava o show. Da rua se ouvia a introdução da "CIDADE DO PECADO". “POHA MUITO FODA!”. Eu quase não entrei, já que foi um loading para lembrarem que eu estava no festival. – Crianças, SEMPRE andem com seus documentos. – Não que eu vá me lembrar de seguir este conselho, anyways...
        O Paulo passou com nossa garrafa de Uísque por debaixo de um moletom. E não bastasse esta garrafa, a banda jogava mais do mesmo álcool na boca do pessoal lá embaixo.
Prosseguindo... Além de Uísque, um taco de beisebol e uma vagina de borracha, em meio às músicas libertinas, tinha isso:


[MISSION ACOMPLISHED!]

– Valeu GORDO BIZARRO!

Senti pena de quem não conhecia a banda; porque, para mim, ao menos, a melhor parte da noite, e meu objetivo era apenas curtir o show e levar um CD deles. Berrei Cantei as músicas até levar um CD.

O que me faz escrever aqui e mesmo mais tarde postar no Blog é simplesmente a existência destes MODAFUQUERS que estavam no show comigo, e essa foto aí encima. Porque, depois disto registrado, o que eu posso registrar? Cantamos música atrás de músicas da “IRON-MAIDEN” "DESPAIR OF THE DARK", claro que não podia faltar.  / E jaqueta jeans do Thomas – o vampiro da combustão instantânea –, se tornou uma bandeira, de tão alargada que ficou após o Paulo a vestir e pular por horas. – Se f*** Thomas, nem lavando e voltando no tempo a tua jaqueta se salva HIHIHIHIHI *------*.

***

Enfim. A noite tem fim – e nos queríamos ir embora! O Thomas e a sua um dia jaqueta pegaram um ônibus na integração, o Ezegarde chegou cinco minutos antes de a sua (o quê era mesmo?) o “acordar”, e, sobre eu e o Paulo, ainda ficamos comendo chips e assistindo televisão. – Nada mais justo que um cartoon americano de piadas sem graça.


***

[DESPAIR FROM THE DARK ATK2800/DEF3000]


- Até o próximo festival.

SE EU PUDESSE EU MATAVA MIL!


[04h27 AM] Meu quarto
17&18/05/2012 Rio Grande
(3ª semana)

Deve estar na lista de um dos piores dias da minha vida. Eu pensei muito sobre como explicar a sensação, mas eu perdi um investimento e dedicação tão grande, todas as minhas cartas, que é impossível inventar uma frase ou máxima que dê conta da minha (dor?).
        – Recém agora, após acordar e vir direto para cá, e precisar por a senha do meu notebook, é que percebi uma das minhas perdas mais significativas. Não por preço, mas... Foi-se junta a minha “BLACKWING – BREEZE THE ZEPHYR”. (A minha senha é BREEZE). Mas o que é reclamar disto quando se tinha o deck completo em 1st edição?

Bom. Ontem à noite, sem absolutamente nada para fazer, fui à loja pegar seriados. Isso era umas 20h00.
        Ao sairmos, ainda pensei, enquanto a Lisi e o Emerson fechavam os portões corridos: “Não tem alarme aqui..., Como seria fácil para o Sam ou o Dexter entrar...”. Bem, correção: Eu deveria ter imaginado como seria fácil para um pedreiro mesmo...!
        Estando em uma maratona sem dormir, às 08h00, após terminar metade da temporada de PRISON BREAK, eu dormi um pouco. Pouco. Eram mais ou menos 09h30 quando o meu celular tocou. O JP estava na linha; e ele disse: “Cara, me diz que as tuas cartas estão contigo. Ontem à noite vocês levaram a tua caixa,, NÃO É?”.
        A primeira onda pré-dilaceração ocorreu. Ele me ligaria novamente. Meu corpo se resmungou na cama para encontrar o celular; a segunda ligação. “Meu, as tuas cartas estão contigo, ou no carro do gordo, certo?”. “Elas têm de estar contigo!”. [...]
        Assaltaram a loja. A princípio imaginei que tinham levado tudo. Se o meu dia seria ruim por isso, então que fica mais, pois, segundos após eu desligar o telefone – e que legal, “quando vou poder dormir”, pensei –, a avó invade o quarto dizendo que... */_

O pai não estava. E eu, tendo dito que já estava indo à loja, não estava indo, portanto.
        A avó reclamava e falava de Deus, e que R$300,00 era muito dinheiro, e que o pai não devia... */_
        Eu só conseguia pensar: “R$300,00? Que tal mais de R$2.000 em cartas. ‘EFFECT VEILER, RAI-OH, POT, TODOS MEUS DECKS...?”. E a lista cada vez aumentava mais. E eu não entendi, ao resultado imediato da notícia, o porquê eu não estava surtando, embora eu já sentisse vontade de dar um soco na parede.

11h00. Ou um pouco antes. Com o pai fora de casa, aproveitei que eu não podia fazer nada e tomei um banho. Sabe? Mesmo com pressa, um banho fazia todo o sentido. Pois “Azar no jogo...”. Eu precisaria estar arrumado, não transtornado.
        Quando o pai apareceu... Assim, durante este dia, milhares de amigos me ligaram perguntando se eu estava bem. Até me surpreendi com tantas ligações. E bem, eu saí de casa sem dinheiro. Voltei à noite. O pai soube do assalto, mas e daí, só as minhas cartinhas!... Ele não ligou nem para me mandar à merda. Aliás, à merda ele me mandou, quando se negou a me dar dinheiro para apenas uma passagem de ônibus, para eu ir checar o estado da loja.

*/_


        Quando eu cheguei à loja, o JP estava com um dos guris do RGBN. As coisas no lugar, nem metade dos produtos furtados – mas claro que o caixa sim –, e as mesas ainda cheia de cartas por cima. Foi quando percebi que, se alguém perdera as cartas, este alguém era eu; apenas eu.
        – O que eu acreditei – e ainda acredito, embora agora eu esteja muito chateado com tudo: “Menos mal que foram as minhas coisas”. – O que pensei depois: “Mas se o assalto podia ser executado facilmente, minhas cartas roubadas, em meio aos produtos, não é um problema meu..., correto?”.
        Sobre isso, eu não fui mesmo o único a perder. E eu tento não ser egoísta... Ao menos não com a minha família.

***


Na hora do almoço, o JP me levou para comermos em sua casa. Mas embora eu pudesse registrar muito mais do que eu ter gostado de uma casa tão espaçosa aponto de ser impossível se manter uma organização eficiente, hoje não é um dia em que eu possa escrever mais do que isto, que eu me assustei ao comer bolinho de batata encontrando um recheio não usual – que eu nem comi, na verdade, devido ao estado de choque e consequentemente a falta de fome – e que lá, mesmo na merda, não parávamos de cantar "AMAZING HORSE".
        Neste meio tempo o Ezegarde me ligou. “Não sei. Faz diferença se eu estiver bem ou mal? São minhas cartas, e, mesmo que a longo-prazo, substituíveis. Eu sigo em frente de qualquer forma”. E o pior é que tenho a eles. Meus amigos. Todos apareceram por causa do jogo, e tenho o meu diário. Algo que se eu perder... – Viu como não é tão difícil atribuir alguma resistência à ideia de que o meu “VAMPIRE GENESIS” (2006), que recuperei estas semanas por valor histórico, após recomeçar a FIC, também estava junto da caixa... [?] – Oh, merda.

A Lisi falou com alguns dos imundos que cuidam carros na rua da loja. E é mais do que claro que foram eles. Um correu quando o Emerson pegou/foi largar uma barra de ferro. Outros entregaram mais outros. E um destes sairia em busca da caixa de cartas (a caixa de um cliente da loja, que não tem valor, mas que fica chato para o estabelecimento...) em retorno de uma ou duas recompensas.

Eu e o JP desaparecemos pela tarde, por causa de uma ida em locais de venda de tintas. Voltando à loja, o Ezegarde liga: “TE APRESSA!”!
        Imaginando que a caixa havia reaparecido e que o Diego tinha pagado por ela, tomo fôlego, depois de uma corrida pelo Centro, para encarar a única coisa que eu não queria; informações frias, planos complexos e incertezas. Um destes imundos, por R$5,00, “sabia muito”.
        O Paulo demorou demais para aparecer, mesmo a gente ligando vinte vezes dizendo que o assunto era sério e que precisávamos dele com urgência. Eu entendo que ele estava ocupado com a sua mãe, mas imagino que se o presidente ligasse para ele seria a mesma coisa, exceto se aquela caixa de cartas não fosse minha, neste caso.
        O Senhor Titela disse que precisava de dinheiro para ir à Pelotas; depois ele morava no Cedro; depois ele assistiu ao roubo; mas era muita sacanagem os caras que ele não conhece direito vender os produtos na sua vila; e havia uma guria com uma caixa; e um taxi; um carroceiro; e ele entendia de polícia; mas sendo de rua não conseguia apontar quem era o ladrão; não queria polícia perto dele, mas achava uma ótima ideia e a única pertinente, aliás, nós invadirmos o local da informação com a Civil...
        Tive um particular com ele, no contexto em que nenhum de nós desejava contato com qualquer coisa que fosse. Perguntei se havia a possibilidade de ele aparecer com a minha caixa, pois, se sim, eu iria lhe recompensar, mas era apenas uma hipótese. O problema é que ganhei de resposta que ele não poderia se meter, que ele iria morrer e que isso era coisa de Polícia, que havia uma guria com uma caixa, e que nós devíamos arrombar a casa onde estavam os furtos. – Para quê? Levar tiros? E que diferença faria ir com a Polícia ou sem ela? As cartas não iriam aparecer, e eu agora compreendia isso. O Vagabundo foi embora assim que eu lhe disse que quanto mais ele falava, mas armação parecia, e que ficava cada vez menos coerente o que ele dizia.
        De acordo com o pessoal, ele me ameaçou para que eu não o entregue à Polícia. EU JURO que se tivesse entendido esta parte, eu teria voado no pescoço daquele avestruz pulguento. Era muito possível que, para quem 1# É vagabundo 2# assistiu ao assalto, 3# divide a rua junto com os culpados, ele estivesse vendendo uma informação combinada, forjada de ultima hora.


Eu só queria que este dia acabasse logo, e que ninguém entrasse no meu quarto, às 19h00+, escuro, ninguém que tivesse gritado comigo pela manhã, que compreendesse que eu não tinha me alimentado durante o dia inteiro... Eu só precisava dormir. Nem que fosse uma hora, para acordar e visitar alguém que retornava após o meu aniversário – um dos lados que contribui com alguma razão, nestes dias, Mas não conseguiria dormir e nem ver ninguém. O programa foi suportar hipocrisias paternais e desejar um RESET em tudo. Conviver com a ideia de que eu perdi um dinheiro incontável em cards. E passear um pouco pelo Facebook, claro.
***




***

Então é isso. Teve até um pessoal da minha aula dando suporte. Acho que eu devo dizer um obrigado, mesmo atordoado pelo fato de que estes ladrões imbecis não compreendam a importância de uma “EFFECT VEILER” agora que caiu a prioridade no TCG. – POHA, ainda tem o fato de que os mongoloides roubaram algo inútil para eles, e que vão acabar dando de presente para o filho de alguém que agora tem as cartinhas que ele viu na televisão.

– GOD, JUST WHY? DON’T YOU LIKE JUAN?