"Do you think you'd sell your soul to just have one thing to turn out right? For the thousandth time you turn and find that it just makes no difference to try. Like Holden Caulfield, I tell myself there's got to be a better way. Then I lay in bed and stare at the ceiling – Dream of brighter days" [Get It Right – The Offspring]

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

ANIMEXTREME 1st Day

*        ...

[10h05 AM] Chegando a Porto Alegre (ônibus)

Engarrafamento! Bem na manhã, a gente atravessa mais uma ponte. Temos a previsão para chegar à cidade logo, mas o evento vai rolar em Canoas. O tempo começa a soar insuficiente, queremos descer e por as cartas na mesa, e o calor, garanto, não está incomodando apenas a mim.

*        Isto foi a minha única tentativa de escrever diário durante a viagem.

[01h41 AM] Meu quarto (Madrugada do dia 14 para 15).

A madrugada em casa passou. A cada vez eu me via mais inquieto para partir, e começava a passar todos os tipos de problemas pela cabeça. “Se o posto fosse outro...”, “se eu tivesse posto créditos no celular não teria como dar errado...”.
O pai apareceu aqui depois de eu estar arrumado. Ficou de papo comigo das 02h30 até as 03h17, horário em que finalmente a moto apareceu. O motoboy tinha dito que notara um agrupamento enorme em frente ao posto em questão, e isto me aliviou um pouco. Eu estava com um frio na barriga, inicialmente. Mas bastou enxergar o povo para um “deu certo” mental.

Esperamos o ônibus com atraso. Era uma parede humana e muitas mochilas e malas na penumbra dos prédios. Lá discutíamos quem ficaria no quarto de quem – ninguém querendo o Gordo Paulo – devido ao ronco que eu sequer imaginava o quão infernal era – e também sobre o que era melhor de “SIDE DECK” caso encontrássemos “DARKWORLD” nos campeonatos. – Pensávamos que haveria dois campeonatos neste semestre, assim como no semestre passado.

Neste meio tempo até o embarque, eu e o Ezegarde já estávamos juntos, com os planos de encher a cara – e ele tinha álcool mais do que o suficiente para isso – e a ansiedade se dissipando a cada bobagem dita. Logo aparece o Alexandre e é quando eu percebo que, nos quartos de quatro lugares, além dele e o Diego, também estaria o Caju. – “Adeus Gordo! Vai para o quarto de outrem”.

No início da Viagem, a Raquel ficou sentada à minha frente. Por incrível que parecesse, eu estava curtindo a idéia de conversar com ela. Ao menos ela ainda não tinha agido de forma a me fazer querer distancia dela. Então o início foi, com o Alexandre junto comigo e o Ezegarde e o amigo dele no banco atrás do meu, a gente tudo conversando. Mas então o Diego e o Caju apareceriam, o Victor, Stanislaw e Paulo se aglomerariam perto de nós, e a nossa parte da caravana – composta por apenas 50% (17 pessoas para o TCG) – se formaria em definitivo.

Claro, o que aconteceu de engraçado lá dentro é coisa que fica lá dentro. Mas é de se esperar e imaginar que tudo tinha graça, que estávamos sem sono e com inspiração de sobra, e que, claro, por causa da viagem tão aguardada, todos estavam soltos e cheios de expectativas. – Até os Jonas Brothers estavam sociais! – Sério, demais o ambiente no veículo.
Alguns dormiram eventualmente, só para acordar uma hora ou nem isso após, e torrar a paciência de quem precisava descansar um pouquinho também. O dia ia amanhecendo, as cartas rolando pelos bancos, partidas aqui e ali, e eu com a câmera fotográfica em mãos – sempre que possível. – E o Paulo, roncando. Acho que pela foto deve dar uma idéia...


 Somente quando o Sol já queimava forte no céu, quando imaginávamos o motorista ter pegado um atalho e já há séculos passado pelo GRILL, foi quando o ônibus parou um pouco. Nesta parte, por mais que não fosse nem um pouco sábio gastar o dinheiro na parada..., mas devido a ter os níqueis no bolso e muito também devido ao meu estômago queimando por causa das bebidinhas de 05,3% de álcool – e gostinho de absinto! –, eu resolvi comer alguma coisa. – Se eu soubesse que me faria muita falta R$8,00 gastos com apenas um pãozinho e um café péssimo, eu seguiria bebendo até mesmo as latas de cerveja quente.


Ao fundo de uma parede, havia um quadro da Santa Ceia. Aquilo me deu uma idéia. “Ok. Jesus tinha mesmo de multiplicar os pães com alguma bruxaria, pois, se ele tivesse de pagar para cada maldito pão, ele teria de lavar a louça do GRILL ao sair.

Um tempo depois de uma partida com as “SPIDERS”, eu faria uma boa e nova amizade. O Messi. – Não sei o nome do guri, mas não bastasse ele ter cara de argentino e cabelo um pouco comprido, neste primeiro dia caravana ele vestia a camiseta do B. F. C. Então o resto da manhã até o ponto em que tento escrever, seria a gente conversando e trocando idéia de decks, minhas músicas tipo “BEEN CAUGHT STEALING – JANES ADDICTION”, eu diluindo Vodka em uma garrafa de Coca-Cola... Uma manhã épica e que se sentia na alma, feliz e cansada.

Então, quando começo a escrever... O medo de que não desse tempo para se inscrever nos campeonatos nos corroia. Para mim então... – Eu era um viajante de primeira, e não fazia idéia de como proceder e não tinha uma boa noção das coisas. Assim, ao menos eu não imaginava nem como seria o anime, as pessoas, o campeonato ou o hotel. – Muito menos que não iria haver torneio algum, a princípio.
A única idéia que tínhamos, era a de que calor era um adjetivo útil apenas para expressar um ar fresco, comparado com o Inferno Literal que estava Porto Alegre. Corríamos contra o tempo, ainda teria mais hora de viagem até Canoas, e tínhamos de passar no hotel...

[Em Porto Alegre...]

Descemos em frente a uma pequena lancheria. Uma coisa começava a me irritar, e era profundamente. O Jesus começou a agir como se mandasse nas pessoas, ou como que, só porque sentava na frente e tinha organizado as coisas, podia berrar com os outros Eu digo gritar com as pessoas mesmo. Não é aquilo de “Gente, olha só, ta rolando isso e aquilo...”. Não! “É, ou façam silêncio ou saiam daqui!”. E assim foi no hotel.
Mas, há! Até o Hotel ainda tinha muita coisa, ou melhor, muita guria bonita. Nós nos perguntávamos “será que existe alguma guria feia aqui?!”

Ficaríamos hospedados no 11° andar. Havia um quarto à extrema direita, com TV, ventilador e tudo mais. Lá, uma aglomeração, de praticamente toda a caravana, tentava se acomodar. Eram livros, estórias em mangá, maquiagem, roupas, acessórios, gente batendo foto e o diabo a quatro dentro do local.

[Lukinhas de xadrez, Ezegarde mais à direita]


[Me, Alexandre e Stanislaw]
 ...
Não tínhamos tempo para nada! Um restaurante em frente ao hotel era a única saída antes de partir, atrasados, para canoas. Buffet livre apenas R$8,00 com direito a duas carnes, mas ainda tínhamos de pagar o maldito refrigerante. Então para não morrermos de sede, separados do mundo – talvez porque nós estávamos escondidos num canto remoto do restaurante – eu e o Caju dividimos um refrigerante. A comida era boa, com exceção do arroz. A carne, a melhor que eu já comi na minha vida. – Sério, eu poderia resumir a minha existência nos poucos minutos em que almocei; em cada segundo comendo a carne assada daquele lugarzinho.

De volta ao hotel, às ordens enfadonhas do Jesus, e ao MEU quarto... – Bom, não era MEU, mas sim, NOSSO. No entanto, era MEU. E “pro que”? Simplesmente porque eu vi primeiro e me adiantei pedindo ele: N°1105. Sem ventilador, sem TV, sem maçaneta... – É. Sem maçaneta! Na verdade estou falando da porta do banheiro. Não sei quem foi, mas alguém entrou no banheiro e, ao fechar a porta, a maçaneta caiu e a infeliz criatura ficou trancada, se debatendo contra a porta, em pleno desespero, até que um de nós atinou parar de rir e ajudar. / Enfim..., Éramos um grupo certo, com um quarto confirmado, e partindo com dentes escovados – coisa que muita gente não conseguiu fazer não...

Mais engarrafamento. A viagem parecia longa demais para um lugar não tão distante assim. Mas cedo ou tarde chegaríamos, e descobriríamos que não era tão tarde assim =D


O evento rolava em, ao que parece, uma super escola. Naquele prédio de decoração quadriculada como lego (ao fundo da foto). Passeando sem ter noção de para onde ir, tropiquei no mesmo local onde tos os jogadores faziam plantão. Uma loja de YGO. Tão legal... Anime rolando em uma tela bem grande, e uma quantidade vasta de coleções e decks à venda:


 –Viu só? Isso é apenas um pedaço da lojinha. Dava vontade de abraçar a maior quantidade possível de itens e sair correndo, mesmo. :B

Mesmo passeando legal por lá, inevitavelmente, cedo demais, eu já estaria na sala de YGO. – Argh! Puseram-nos juntos com o pessoal do Pokémon. – Eu jurei que iria esmagar a face de um abobado colorido que cruzasse o meu caminho. Mas ninguém do Pikachu & Cia pediu pra morrer não.

No primeiro dia, nesta sala...

Assim, havia muitos, mas muitos idiotas. A maioria não usava nem ao menos protetores básicos nas cartas. Um mais retarda que o outro. Porém, por outro lado, os que lá estavam por serem bons jogadores/colecionadores ou vendedores, eram de outro nível, por assim dizer. Eu fiquei sestroso, mas no fim eu me dei bem. Ok, não seria algo tão fundamental e talvez eu conseguisse por ainda mais barato, no entanto, sem experiência alguma, a minha primeira compra foi pechinchar um pouquinho e adquirir o meu 2º “BREAKER, MAGICAL WARRIOR” e um “EXPLOSIVE MAGICIAN” por R$18,00. Feito isso, topei com um cara muito legal. Ele e o Paulo já se conheciam, e eu apareci para umas compras. Então, em seqüência, eu já estava praticamente sem dinheiro! Mas valia a pena – e se valia! Peguei um “NUMBER 39: UTOPIA” + “NECRO GARDNA” (TAEV) por R$30,00.
Até pensei em por os dois “NECRO GARDNA” no deck, agora que eu estava com uma dupla, mas resolvi devolver o do Paulo. Peguei umas coisas a mais para os guris e acabei me vendo sem dinheiro nem para comer – quanto mais para continuar pagando por mais cartas. E, sobre trocas, “por eu não ter uma pasta, eu não tive como oferecer as minhas coisas em troca. Quer dizer, até consegui trocar uma ou outra coisas, mas não era da mesma forma...

Alternei entre passear e voltar à sala, mas jogar que era bom, nada. Muito à tarde foi que eu encontrei um pessoal bobo e, depois de umas trocas, pude enfim, jogar umas partidas. Mas foi tão sem graça... Ao menos eu pegava o último “BREAKER” e, um tempo depois, completava a coleção/deck dos “VOLCANIC”. Pois o Diego veio lavrando tudo pelo caminho até me encontrar para dizer que existiam “VOLCANIC ROCKET” à venda com o mesmo vendedor dele. Paguei a bagatela de R$5,00 por cada um dos que me faltavam.

Os únicos que ficaram – o vício é $%#@ mesmo! – foram eu, o Lukinhas, o Paulo e o Ezegarde, no fim. Com muito calor e a o sono, fome, sede e necessidades físicas – dar uma caminhada, ora –, demos uma pausa para sair do evento, caminhar e beber algo. – Se encontrássemos algo. / Nesse meio tempo o Alexandre, por exemplo, assistiria aos dubladores do Goku e do Vegeta. – Eu me arrependi de não ter ido, ainda mais quando descobri que cantaram até  músicas, os caras.

***

Na rua, com os braços carimbados garantindo a entrada livre na volta, saímos estupidamente em busca de um refrigerante 2L. E o pessoal de Canos, I mean, the Sellers, são filhos da mãe a ponto de não colocarem refrigerantes 2L para vender – e viva o lucro encima do pessoal que já se sentou e agora vai ter de comprar latinhas por preço de Litros \o/ / Mas, sobre a gente, simplesmente levantamos e fomos embora, caminhando por muito tempo – sempre em linha reta para não se perder –, até que, enfim, encontraríamos refrigerante. / Esse momento foi épico simplesmente pelo fato de que o Paulo levava consigo uma bolsa com cartas. (mais de 40 Kg de cartas!). E nós parecíamos – como eu disse – uns pirilampos, andando de um lado para o outro com a tralha incrivelmente pesada, sedentos, no olho do Sol, sem rumo.

***

Troquei umas coisas pelo que seria a carta presente para o Endo...
Novamente na sala do YGO, foi quando percebi que eu tinha perdido TODAS AS MINHAS CARTAS! Eu gelei, queimei, babei... Fiquei sem a mínima reação mental, também, e me negava a imaginar quando ou como eu tinha sido roubado. Meu único impulso foi lançar uma olhada para um canto onde, pela última vez abrindo meu saquinho, eu revelara as minhas cartas a um guri que sumiu furtivamente e que, por isso, me inspirava certa desconfiança. Mas claro, se ele tivesse roubado o meu baralho de “BW”, os meus magos e tudo o mais, a sua cara não estaria mais por ali. Então eu já me encontrava sem esperanças, quando, do nada, encontro o meu saquinho cor de laranja. – Ninguém tinha tocado um dedo sequer! – Aliás, um cara me disse que não ter “estande” para as cartas propicia a sermos furtado. A soma disso moldou algo no Juan durante este e o dia seguinte: “Não furte cartas de forma alguma”, por mais que um idiota pedisse ou que eu tivesse a oportunidade – e eu roubaria, normalmente – e também não estou aqui me referindo a encontrar um saco e erguê-lo perguntando quem são os diversos donos.

Outro passeio e, ao voltar, a sala estava fechando. Então era hora para reagrupar, curtir um show, fazer compras com o resto do dinheiro – eu tinha de levar alguma lembrança – e bater mais fotos.

[2º dia. À esquerda da foto, Cristiano - ainda devo R$5,00 pila pra ele =P] 
Encontrei, ao longe, um cosplay do Napa e um do Kakashi, mas, por uma incrível falta de sorte, quando peço para bater uma foto com eles, e então o Lukinhas liga a minha câmera, não é que a bateria acaba...? * grilos *, mas alguém pegou uma câmera e emprestou ao guri. Entretanto, todas as fotos ficaram tremidas. No fim, depois de ter feito os caras me esperarem para mudar de câmera, de o Lukinhas não conseguir acertar de primeira e tal, e sem saber como pedir para o Kakashi recolocar a sua kunai contra a minha garganta, simplesmente agradeci e os deixei ir embora. – No outro dia eu não tive coragem para pedir para tirarem fotos de novo.


Mas sobre o pessoal em geral, apenas um fez cara feia quando eu pedi para tirar uma foto. E acho que apenas por já ser noite e o cansaço bater, pois todos estavam bem receptivos.

A última cena no 1º dia foi os guris pagando flexão. Ninguém sabe explicar o porquê dessa macacada, mas o fato é que teve o Diego com 40x, logo em seguida o Alexandre primeiramente batendo palmas entre os apoios e, depois da sacanagem dos guris, seguir fazendo o exercício com a mala de cartas do Gordo Paulo nas costas, e, por fim, o Caju saindo na foto mais estranha da noite. Um erro de movimento na lente. Ele se tornou uma “GRACEFUL REVIVAL”!



“Target a level 2 or lower monster on your graveyard. Special Summon the Target”. If this card is removed from the field, destroy that monster. If the monster is removed from the field, destroy this card”.

***









Na saída do evento, passamos muito mais do que o tempo que devíamos apenas esperando o ônibus, participando do fervo de pessoas que tomava a noite. Eu só queria chegar ao hotel e tomar um banho. Esperava que no dia seguinte eu pudesse jogar e passear mais, mas isso tudo desde que eu antes pudesse descansar. Mas, sobre descanso, desde o caminho ao hotel, eu já sabia que não seria tão fácil. Também, havia um lado meu que queria apenas organizar as cartas e namorar as aquisições por algum tempo.

No ônibus, enquanto um pessoal parou para jantar, o Diego e o Caju saíram em busca da nossa janta. Eles compraram pão, frios, um refrigerante... E eu quase dormia. Dor no corpo, na mente, na alma, de tão esgotado que eu me via depois de não ter dormido por tanto tempo. Pena que a bateria do meu notebook também acabava e eu tive de preservá-la, pois eu estava ouvindo algumas coisas boas e esperadas, como as dos dias passados.

***

No hotel, pegamos nossa chave, e subimos ignorando o pessoal. Nosso quarto nos esperava bem arrumadinho. Meu plano não estava certo. Ou dormir, ou cartas, ou encontrar o Ezegarde e beber. Nisso chegava a minha vez de ir para o banho. A maçaneta trancou e eu fiquei preso também, mas demos jeito. O segundo problema seria a água fria.
Com a água correndo, disse aos guris: “A água tá fria, a gente se $#%@ mesmo!”. Igual eu precisava do banho. Então corri contra o chuveiro berrando com coragem e, logo, com frio. Daí a mágica da lógica: a gente estava no 11º andar. É claro que a água quente custaria um pouquinho para chegar! * Como que eu consigo, mesmo,...? *.

“Então enfim descanso!”. Não era apenas o que eu pensava. A perfeição se dava. Nós quatro conversando sobre o dia, as gurias e tudo mais, cada um sobre a sua cama, alguém criando um deck, eu pondo as minhas cartas em ordem e, incansavelmente como sempre, o Diego e o Alexandre jogando um contra o outro. – Eles não enjoam um da cara do outro não?
Mas tudo tinha um fim, e ele não precisou nem do anúncio: “Vamos todos vir pra cá jogar, gente”. – Alguém que eu não lembro abriu a porta para dizer. Nós quatro nos olhamos com aquela cara de decepcionados, com o semblante esgotado, querendo paz e apenas um momento com as nossas próprias cartas – pois certamente haveria campeonato no outro dia e nós tínhamos de dormir! – mas era em vão. O Gordo Paulo, Victor, Félix..., uma cacetada de gente invadiu o nosso quarto. Eu jantei uns sanduíches, terminei de por as cartas em ordem e ignorei o povo. Corri quem estava sobre a minha cama, joguei um travesseiro sobre a cara e torci para que ninguém aproveitasse a minha posição de dormir para viadagem. (Dormi).

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